7 Questions for Tim Yuan

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Tereza Braga (Division Administrator)

tim yuan

Tim Yuan is a translator and member of ATA and PLD since 1990. He has served as Administrator of the PLD and Member of the ATA Board of Directors. Tim lives in New York and is a conference interpreter and member of AIIC.


Tim Yuan é tradutor e membro da ATA e da PLD desde 1990. Atuou anteriomente como administrador da PLD e já fez parte do Conselho da ATA. Tim mora em Nova Iorque e é intérprete de conferências e membro da International Association of Conference Interpreters (AIIC).

Qual é a sua resposta para a clássica pergunta dos americanos: “Where are you from”?

É complicado. Nasci em Hong Kong em 1961, sob domínio britânico na época, e tive esse passaporte até o retorno da colônia para a China, em 1997. Vivi no Brasil até os 19 anos, mas nunca me naturalizei brasileiro. Quando perdi a nacionalidade britânica, já estava radicado nos EUA e me naturalizei americano.

Qual é a sua formação?

Tive toda a minha formação em São Paulo, até o primeiro ano de Engenharia na Escola Politécnica da USP. Terminei o curso superior na Columbia University, em Nova York, com o grau de Bachelor of Science em Ciência da Computação.

Quais são as melhores (e piores) lembranças do seu tempo no Brasil? Chegou criança? Tem pais ou parentes ainda por lá?

Cheguei ao Brasil pelo Porto de Santos, ainda bebê, depois de navegar ao longo do Sudeste Asiático e da costa oriental da África. Tenho uma fotografia minha no Quênia, no colo da minha mãe.

A Copa do Mundo de 1970 foi marcante para mim. Foi quando comecei a adquirir a noção de país para além da vilinha da Rua Amaro Cavalheiro, Pinheiros, em São Paulo, onde cresci.

A pior memória foi, sem dúvida, o assalto à mão armada que sofremos em casa, de madrugada, com minha filha recém-nascida, sob ameaça. Foi no fim de um período de sete anos que passei no Rio de Janeiro, já adulto. Senti uma desesperança sem fim.

Ainda tenho um irmão no Brasil, ceramista em Cunha, na divisa de São Paulo e Rio, e vários sobrinhos. O resto da família vive nos Estados Unidos e na China.

O que é mais gostoso: traduzir ou interpretar?

Gosto dos dois. A interpretação me leva a lugares que nunca imaginei visitar, como Noruega e Zâmbia, e países que sempre quis conhecer, como Índia e Moçambique, e me dá a oportunidade de conhecer presidentes, ministros e outras personalidades. Mas o trabalho é muito cansativo e estressante. O nível de adrenalina é mais “digerível” na tradução, que também me permite satisfazer um certo perfeccionismo que é impossível na interpretação.

Você acredita em formação acadêmica específica e regulamentação para o nosso ofício?

Acredito em treinamento e qualidade. Não acredito em universidade como fórmula mágica. Pelo contrário, a regulamentação do acesso à nossa profissão (tanto tradução como interpretação) não garantiria a qualificação dos formandos e, pior ainda, barraria profissionais estelares.

Mas, reitero, acho o treinamento imprescindível. O profissional de interpretação e tradução deve procurar o aperfeiçoamento constante.

Como você reage/reagiria às críticas sobre aprovação de sessões para o congresso anual da ATA? Não há comissão ou mesa para aprovar ou rejeitar propostas nem aquele requisito de propostas “cegas” (anônimas) para evitar viezes, como em outras associações e congressos.

Acho que o processo tem funcionado bem, mas não rejeito a ideia de um processo mais coletivo de seleção. Não vejo vantagem em anonimizar o processo. Para o organizador, é importante saber a identidade do apresentador, tanto para evitar pessoas controversas como para não excluir apresentadores de grande popularidade. Alguns apresentadores enviam uma proposta muito bem escrita, mas não são bem avaliados pelos participantes. O organizador da conferência deve ter acesso a essas informações.

O Divisions Handbook da ATA prevê membros do Conselho (ATA Board) atuando como liaison informal com as diferentes divisões. Como membro do Conselho, você se vê nesse papel? Se sim, como poderíamos utilizar melhor esse vínculo?

Como membro desde 1990 e ex-Administrador em 1997-98, tenho a Divisão de Português em um lugar especial do meu coração. Ela é a minha tribo dentro da ATA. Sempre procurei defender seus interesses no Conselho. Os Administradores devem manter um contato constante com os membros do Conselho para expor seus pontos de vista e angariar apoio. As divisões têm um papel fundamental na vida da ATA: “Divisions are our homes within the ATA”.

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