Report on InterpretAmerica 2011 in Washington in June

October 12, 2011 | 0 comments

by Tereza d’Avila Braga

“Interpreters will never be replaced by technology, but they will be replaced by colleagues who are more tech-savvy.”

Technology dominated the two days of presentations on June 17-18 at InterpretAmerica, the new forum for interpreters spearheaded by Barry Olsen and Katharine Allen, both faculty members at MIIS. It was emphasized that machine translation heightens awareness about language transfer, therefore it widens (instead of narrowing) the market for human translation. Also, technology is not here to replace human work but to address increasingly relevant issues involving our work as interpreters, such as speed and quality.

It was my first time at this event and I was pleasantly impressed. To represent Portuguese Gio Lester was there, as well as our administrator Elena Langdon, Cristiano Mazzei, Tatiana Carajilescov, Camila Januário, Sheyla Carvalho (OAS), Ewandro Magalhães (Geneva) e Marsel de Souza (Brasília). Gio Lester was one of ten moderators leading a workgroup called “Professional Identity: Rolling Up Our Sleeves”, which was a whole afternoon working in groups and listing key issues and recommendations for the profession. Ewandro moderated a plenary panel entitled “Interpreting and Technology: Who Will Be in the Driver’s Seat?”

I specially enjoyed insights from Bill Wood, one of the panelists and founder of Design Specialists Interpretation. For instance, “Your product is not what comes out of your mouth, but what comes into the audience’s ears”. It reminded me of a conference I attended in Buenos Aires once. To have the customer’s experience, I decided to wire myself and listen in. The first interpreter was excellent, but I could not stand his voice for more than five minutes – it was like listening to a robot! And the constant ‘um’s…! When his partner took over, I quickly put my earpiece back on. Her overhang (delay) compared poorly, but she was also on top of the subject matter. Most importantly, and to my relief, she talked like a human, with intonation, pitch and tone, thank you!

Another pearl from Bill hit me directly on my lazy bone: “If you have any pride in your work, you should want to listen to yourself; it’s your product!” How many of us take the time to record our voice and listen to it when we get home from a gig? It reminded me of Hank Phillips, one of my early mentors, carrying a tiny recorder every time he entered the booth.

The organizers emphasized that we are a small profession, and very fragmented. They believe we should come together in order to create critical mass and have a single voice as interpreters, with a conscious effort to embrace new knowledge and new technology.

The line-up was impressive and I suggest clicking them online, since I only covered the bare bones here.

A highlight for me was the various equipment providers offering demos, brainstorming with us in the workgroups and speaking from the podium. We had state-of-the-art conference microphones at every seat, fully assembled booths lined up and all kinds of portable equipment for hands-on playtime. I took turns interpreting (and laughing), sharing the booth with a Mandarin stranger and asking Portuguese colleagues to listen in from their seats. Great fun.

Ressuscitar para memória

October 12, 2011 | 0 comments

Por Thelma L. Sabim

O que fazer com aqueles arquivos preciosos traduzidos há anos, quando a única ferramenta era “apenas” o processador de texto? Vale a pena ressuscitar alguns para criar memória?

Claro que tempo x benefício é determinante. Se o arquivo recebido do cliente estiver em formato eletrônico, ficará mais fácil. Basta fazer o alinhamento com a tradução e nasce uma memória! E se o original veio em formato PDF? Daí é um pouco mais complicado, mas se realmente o material for importante para consulta em novos projetos, o jeito é passar o PDF pelo Nuance OmniPage ou ABBYY FineReader. Com alguns ajustes e consertos no que resultar do OCR, dá para criar um bom documento fonte para o alinhamento, sobretudo se gravado como texto simples.

Algumas CATs oferecem a função de alinhamento, mas geralmente é um processo demorado e desestimulador. Fiz um teste com o Stingray Document Aligner da MaxPrograms, uma empresa sediada no Uruguai. Gostei da simplicidade e por ser cross-platform. A licença custa 70 Euros, um preço bem acessível comparado ao de uma outra ferramenta, o Align Factory Light da Terminotix, que custa 420 dólares. No site, há outras opções apenas para fazer alinhamento, mas nunca experimentei, inclusive um alinhador grátis on-line, o YouAlign.

Para quem não quer investir muito e não está contente com a função de alinhamento da sua CAT, há outras opções gratuitas para criar TMX, o padrão utilizado pelas diversas CATs para tornar os arquivos de memórias compatíveis.

Uma delas é o Rainbow, um dos aplicativos do Okapi FrameWork criado originalmente pela Enlaso. Embora a função de alinhar frases do Rainbow não seja fácil de usar, gostaria de destacar outros recursos muito úteis que já usei como extrair texto para tradução de arquivos de diversos formatos, como rtf,  html, xml, php, properties do Java. Ainda há outros recursos que quero aprender como pseudo-tradução e comparação de tradução.

Para a função de alinhamento do Rainbow, chamada Sentence Alignment, os documentos devem ser primeiro convertidos para o formato do OpenOffice, ou seja .odt, senão o Rainbow não gerará a memória. É preciso dedicar tempo para aprender todos os passos deste procedimento.

Outra opção de alinhamento se chama Bitext2tmx. Ela pode ser baixada do Sourceforge.

Porém, o texto original e a tradução devem ser convertidos em formato txt primeiro. Esta ferramenta é bem básica.

Outras ferramentas importantes que agilizam o uso das TMs são os editores de memória. Uma delas, que está em processo de atualização, é o Olifant. O site oferece a versão de 2009. A nova versão revisada deverá ser liberada até o final do ano. O recurso que mais utilizo do Olifant é o de remover códigos de formatação das TMs para aumentar os “matches”. Pelo que li no site dos usuários do Okapi, o Olifant vai funcionar também em outras plataformas – no momento é só no Windows.

Outra ferramenta que é indispensável quando lidamos com memória é o ApSic Xbench, que funciona no Windows e é gratuita. Usei algumas vezes o recurso de converter TMs e sugiro aos colegas uma visita ao site.

Da interpretação médica

October 11, 2011 | 0 comments

Por Lilian Jimenéz-Ramsey

Quando fui abordada pelo nosso querido editor, Henrique Levin, para escrever um artigo “due yesterday” só não caí do cavalo porque estava caminhando rumo à caixa de correios. Esse tipo de “convite”, ironicamente, causa um misto de pavor e orgulho (ainda não descobri a origem deste último sentimento) que evolui em poucos minutos para um total estado de pânico, principalmente depois de desligar o telefone. Imediatamente, a realidade bateu à porta com o fatídico “e agora, José?” Ah, agora é que são elas! “Tu com a tua petulante e infundada onipotência que sempre pula à frente de reações mais racionais!” Ou será o espírito caritativo que as freiras Carmelitas instilaram em mim desde tenra idade? Sei lá, ainda não cheguei a nenhuma conclusão, mas o tempo passa e palavra é palavra. Afinal de contas, trata-se do meu compadre (por implante artificial), e compadre é sagrado, pelo menos lá na Província Cisplatina, quer dizer, no Rio Grande do Sul, que por sinal, tchê,… Bom, deixa pra lá. Isto até parece papo furado.

E assim, deambulando por esses corredores do uso da língua, chego ao da interpretação médica e me deparo com uma realidade transformadora para quem se dedica a esse ofício neste país. Fala-se de “certificação nacional” (national certification) para os intérpretes da área da saúde. O assunto está na boca do povo, só se fala nisso nos círculos pertinentes. E não poderia ser de outra forma. Afinal, a crescente diversificação da população americana reflete-se nos vários setores do país e na necessidade de adaptar os serviços que cada um deles oferece a clientes ou pacientes visando resultados de alta qualidade. No setor da saúde, o governo estabeleceu que o atendimento médico deve focar o paciente (patient-centered care) e levar em conta as suas diferenças culturais e linguísticas (culturally and linguistically appropriate care).

Esta terminologia não é de hoje. O acrônimo CLAS (Culturally and Linguistically Appropriate Services) define o padrão nacional de assistência médica para organizações médicas elaborado pela Joint Commission e emitido pelo Office of Minority Health (OMH) do Department of Health & Human Services (DHHS) dos Estados Unidos em dezembro de 2000. Dos catorze padrões enumerados nesse documento, os de números 1 a 3 referem-se à competência cultural; os de 4 a 7, ao acesso ao idioma e de 8 ao 14, referem-se a apoios organizacionais à competência cultural. Exceto os padrões 4, 5, 6 e 7, que têm força de lei (mandates), os demais são diretrizes (guidelines). Contudo, as organizações de saúde têm o maior interesse em obedecer aos referidos padrões porque do seu cumprimento depende serem entidades reconhecidas (accredited) ou não pela Joint Commission e, por conseguinte, se qualificarem para receber ajuda financeira do governo federal.

A expressão “patient-centered care” já vinha sendo utilizada há muitos anos, mas foi revitalizada no artigo Crossing the Quality Chasm, publicado pelo Institute of Medicine (IOM) em 2001. O principal assunto abordado foi a disparidade no acesso à saúde (health access disparities) por minorias raciais e étnicas no país, concluindo que a qualidade do atendimento médico depende de seis fatores chave, sendo um deles a centralização dos serviços no paciente (patient-centeredness). Dos demais fatores–eficiência (efficiency), efetividade ou eficácia (effectiveness), segurança (safety), serviço oportuno (timeliness) e equidade (equity)–, a equidade é alcançada prestando serviços de saúde de qualidade, independentemente das características pessoais, de origem e socioeconômicas do paciente.

Desprendem-se dessas diretrizes os conceitos de “proficiência linguística” (linguistic proficiency) e “competência cultural” (cultural competence). Conceitos intimamente relacionados com a função do intérprete médico, peça fundamental da tríade (triadic encounter) que constitui, juntamente com o paciente e o profissional de saúde, a unidade comunicativa que tem por objetivo primordial garantir a saúde e o bem-estar dos pacientes com limitada proficiência na língua inglesa (Limited English Proficiency – LEP).

Mas, quem é esse intérprete que trabalha na área da saúde? Além de ser fluente nos dois idiomas de trabalho, deve ser capacitado e qualificado para o desempenho de algumas modalidades de interpretação: consecutiva (consecutive), simultânea (simultaneous) e tradução à vista do texto escrito (sight translation)] e entender ambas as culturas para poder atuar como mediador cultural (cultural broker/mediator) ou defensor (advocate) do paciente quando for o caso. Deve saber como manejar a dinâmica da consulta ou comunicação oral com técnicas específicas que garantam a transparência do intercâmbio de ideias entre as partes e propiciem uma relação de entendimento e confiança (rapport) entre o paciente e o profissional de saúde (health care provider) e a instituição que representa.

Mas tudo isso de nada serviria se o intérprete médico não tiver conhecimento da terminologia médica, de anatomia e fisiologia humanas, sintomatologia, doenças, tratamentos e procedimentos médicos, etc., ou se não conhecer como funciona o sistema de saúde nos Estados Unidos. Essas são algumas das pautas que representam a bagagem de conhecimentos que o intérprete médico deverá possuir para representar com fidelidade a sua profissão. Da mesma forma, servirá para demonstrar que está apto para assumir a carreira quando passar as provas de certificação nacional oferecidas pelo National Board  of Certification for Medical Interpreters (NBCMI) ou pela Certification Commission for Healthcare Interpreters (CCHI), dois grupos engajados na defesa da profissionalização do intérprete médico neste país.

Não estranharia se o ano de 2010 for reconhecido como o ano da interpretação médica. As pessoas que por muito tempo se dedicaram a esta ocupação finalmente poderão colher os frutos do seu esforço ao serem reconhecidas como profissionais da área com certificação reconhecida em todo o território nacional. O segundo passo será iniciar um movimento de reivindicação de tarifas condizentes com a sua formação, mas até lá fica meus parabéns às organizações que propiciaram a concretização desta realidade

http://terminotix.com