April 23, 2015
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Café com Tradução

Photo Credit: http://deathtothestockphoto.com/

Val Ivonica (PLD Member)

Em 2013, um grupo de amigos resolveu se reunir para conversar sobre tradução. Uma ideia leva a outra e, em novembro daquele ano, nasceu o I Café com Tradução. Apesar de ser um evento “inédito”, as vagas se esgotaram rapidamente. Há exatamente um ano, em abril de 2014, o auditório do II Café com Tradução também estava lotado com estudantes e iniciantes na área.

André Faure abriu o dia falando sobre localização de jogos. Ele enfatizou as qualidades necessárias para um tradutor em geral, e de games em particular: estudar, pesquisar, conhecer a linguagem “gamer”, usar CAT tool (impossível manter a coerência terminológica de milhares de itens sem isso), prestar atenção aos detalhes e às especificações do cliente. Contou casos de sucesso e fracasso, além de várias curiosidades. Você sabia, por exemplo, que a indústria de jogos movimenta muitos bilhões de dólares por ano e a previsão é chegar a 100 bilhões em 2017? Nas palavras do próprio André, “localizar jogos é divertido, mas não é brincadeira”.

Em seguida, eu falei sobre CAT tools. Como a maioria dos cursos de tradução enfatiza as disciplinas teóricas, os alunos acabam com pouco ou nenhum conhecimento dessas ferramentas essenciais, não só por serem exigidas pelos clientes-agência como por serem primordiais para a produtividade do tradutor profissional, para a uniformidade terminológica dos projetos e para trabalharmos com formatos “exóticos” que nem sempre podem ser abertos no MS Word. Apresentei as características básicas, os tipos principais, seus prós e contras e as principais ferramentas do mercado. Aconselhei os participantes a instalar a versão demo e experimentar quantas puderem, porque não existe uma ferramenta ideal ―a melhor ferramenta é aquela que melhor se adapta ao tradutor e a cada projeto.

Depois do coffee break, Ricardo Souza abordou um tema importante para nosso dia a dia: a relação entre tradutores e agências. Enfatizou que mesmo as agências que pagam menos podem ser uma porta de entrada no mercado para tradutores inexperientes, que têm supervisão, revisão e feedback e, assim, podem aprender muito em alguns meses de trabalho como profissionais internos. Ricardo recomenda parar com as reclamações e trabalhar em conjunto com o cliente, oferecendo o “algo a mais” que vai fazer com que ele seja fiel e passe a procurar você, não outro tradutor. Lembrou que existem outros fatores além do preço na hora de decidir aceitar ou não um projeto e que nem toda agência paga mal.

Na sequência, Adriana Machado falou sobre os tipos de interpretação: simultânea, consecutiva, sussurrada, acompanhamento e “consecutânea”, um híbrido de consecutiva e simultânea. Explicou as características de cada uma e ressaltou a necessidade da profissionalização, porque a interpretação tem técnicas que exigem extenso treinamento e regras que precisam ser seguidas, inclusive com relação a valores cobrados, limite de horas trabalhadas e a necessidade de trabalhar em dupla em determinadas situações. No fim, a Adriana demonstrou técnicas de anotação para consecutiva e o equipamento que usa para consecutâneas.

Photo Credit: Café com Tradução I (2013)

Photo Credit: Café com Tradução II (2014)

Na volta do almoço, Filipe Alverca falou sobre as vantagens de se filiar às associações de tradutores: reconhecimento como profissional, certificações, descontos diversos e visibilidade nos diretórios de cada entidade. Filipe discorreu sobre a ATA, a FIT e o Sintra, depois passou a palavra a Ana Iaria, da diretoria do ITI, e a William Cassemiro, representante da Abrates no congresso. Todos ressaltaram um mesmo ponto: uma associação só é forte e representativa se tiver membros ativos.

Depois, Ágata Sousa contou sua experiência como workaholic e como está conseguindo organizar seu tempo para trabalhar, produzir e ganhar dinheiro sem abrir mão de passeios, hobbies, amigos e família. Indicou alternativas como as técnicas Pomodoro, Getting Things Done (GTD), gamificação e opções de software para restringir o acesso às distrações online (principalmente as redes sociais), como o RescueTime.

Em seguida, Beatriz Figueiredo apresentou outro ponto de vista: as redes sociais pode ser extremamente benéficas, se usadas com planejamento e bom senso. Mostrou como definir estratégias de atualização de perfil e publicações com base no público-alvo (colegas, clientes-agência ou clientes diretos), na finalidade desejada (presença online, networking, aprendizado ou socialização) e no tempo disponível.

Na última palestra do dia, Petê Rissatti explicou as diversas fases da edição editorial. Comentou quem faz o que em cada etapa do processo e por que às vezes, mesmo com tantas revisões, um livro pode ser lançado com erros. Mostrou ainda o que os editores consideram características de um bom tradutor: cumprir prazos, conhecer profundamente os idiomas de trabalho, ser curioso e atencioso, respeitar o estilo do autor e diferenciá-lo das peculiaridades da língua.

Por fim, Adriana Machado, Ana Iaria e Yasmin Fong, organizadoras do evento, falaram sobre a Tradwiki, projeto colaborativo muito interessante e promissor que se propõe a centralizar informações sobre todos os aspectos da tradução, e sortearam diversos brindes.

Foi um domingo extremamente agradável, com participantes interessados e conversas excelentes, dentro e fora do auditório. Participei das duas edições e aguardo o evento deste ano!


VAL IVONICA é química industrial por formação, tradutora inglês-português há quase 10 anos. Geek assumida, macqueira convertida e fã de tecnologia e novidades. Trabalha quase que exclusivamente com o memoQ, mas usa outras ferramentas dependendo do projeto da vez. Converter arquivos e projetos é uma das especialidades da casa. Começou a palestrar em 2010 e pegou gosto pela coisa.


NOTA DA EDITORA: O Café com Tradução está se preparando para o próximo evento, a ser realizado em agosto e dedicado à tradução de vídeogames. Mais informações no cartaz abaixo (clique para ampliar) ou no site oficial do evento.

Photo Credit: Café com Tradução

Photo Credit: Café com Tradução

 

 

April 15, 2015
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Translators in Podcastland

Photo credit: DeathToTheStockPhoto.com

Photo credit: DeathToTheStockPhoto.com

Bianca Bold (PLD Assistant Administrator)

Most of us are familiar with many bloggers who write great stuff about translation, interpreting and a variety of aspects of our industry. But what happens when you get tired of screens―both large and small―and the loads of texts you’re required to read every single day? Or when you’re on the go and can’t really focus on a written text? Well, you can listen to podcasts instead. You can even download and save a few episodes on your phone or other mobile devices so you can listen to your favorite speakers when you don’t have a reliable internet connection (such as in the subway―at least that’s the case in Toronto) or if you want to save your 3G or 4G data usage.

I started compiling a list of T&I podcasts for personal use, then I decided to share it with colleagues. In turn, I’d like to hear from you should you have anything else to add to this list, which is by no means complete.

T&I podcasts in Portuguese

(wouldn’t it be great to see a much longer list here?):

Launching three episodes a month, podcast producer Rafael Franças talks to guests mainly about literature, different literary genres and issues. However, some episodes focus on translation (such as the one on literary translation) or tackle translation aspects in some fashion. There are also a few about writing tips, the Brazilian editorial market, self-publishing, creative writing and an array of other topics most translators I know would gladly spend hours discussing.

PLD member Carolina Alfaro de Carvalho has been interviewing colleagues about different aspects of their routine and experience not only in translation and interpreting, but also in other areas that somehow add to our professional baggage. It’s still quite new, with just four episodes available for the time being―all informative and entertaining. Carol’s plan is to keep an average of two episodes a month. Let’s hope this one sticks around for a long time!

Most Brazilian translators know and love TradCast, created by PLD members Érika Lessa and Marcelo Neves, along with another dear colleague of mine, Cláudia Mello Belhassof, and the help of her tech-savvy hubby, Roney Belhassof. Unfortunately, it seems like life got in the way of their podcast production, but it’s still worth listing TradCast here for its rich archive―and hopefully this will give them a gentle nudge to resume the project.

As for the rest of the list, I decided not to comment on each single podcast―the more I went on Googling, the more material I found… So I was afraid I was never going to be able to publish this post. ☺

T&I podcasts in English:

Then my Googling led me to other podcasts that aren’t about T&I proper, but I thought I’d list them because they might be interesting to those learning Portuguese or English (and truth is: no matter how many hours of your life you’ve dedicated to learning a language or how many years you’ve lived in a country/culture, there’s always something new to learn). So here are just a few extra links about language and language learning:

Portuguese language podcasts:

English language podcasts:

That’s it for now, folks! Happy listening!

Please leave a link in the comments below if you know of any other podcasts that are worth sharing with our colleagues.

April 6, 2015
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This & That ― Vignettes of a Professional Journey

Photo: PLD member's personal archives Taken at the Crystal Springs Rhododendron Garden in Portland, Oregon, USA

Photo: PLD member’s personal archives
Taken at the Crystal Springs Rhododendron Garden in Portland, Oregon, USA

Introducing a new column by Ines Bojlesen

Why “This & That”? Well, after more than forty years as a translator and interpreter, I realize that I am good at “This” and “That,” but that I also suck at “This” and “That”. And I bet you will relate to “This” as much as to “That.” We experience moments of excellence and also those we would rather forget but need to keep as a lesson learned.

I see this space as an opportunity to share my professional journey, one that I enjoy every day. Before venturing into translating, I felt an urge to write, to take down random thoughts, even as a young child in Brazil. Languages were part of my upbringing; my father spoke six languages and exposed his daughters to all six through books, songs and daily activities. I also lived in the U.S. as an exchange student during my senior year of high school, an experience that confirmed languages would be my profession.

I have a Bachelor’s Degree in Industrial Design but have always worked with language-related activities. I worked for a couple of U.S. corporations and also at the U.S. Consulate in São Paulo. In the early 70s, I was appointed “Tradutora Pública e Intérprete Comercial” in São Paulo and worked in this capacity until my resignation last year.

When I moved to the U.S. for good in 1998, I gradually phased out my clients in Brazil and started to build my career here. One of the first things I did was to become a member of the ATA and network with the Oregon translating community. I have worked out of my home office since then and expanded my expertise in the never-ending race to keep up with terminology, technology and all the -logies that apply to the trade.

I feel like every day is a blank canvas. When I sit at the computer, I never know what surprises will come my way. One pleasant surprise was to find an e-mail from PLD Administrator Tereza Braga last week inviting me to be part of the PLD Blog. I was active in the PLD for many years as treasurer, co-editor and designer of PLData during Tereza’s earlier administration. It will be fun and challenging to join the blogging era in this venue.

Aging (or should I say “maturing”) has made me question more, probe deeper and… want to learn more. I will be writing about the search to find answers and to understand how our profession evolves and transforms. I hope reading my blog posts will be entertaining and interesting.

I finish “This” today with something I wrote that I am sure writers and translators also experience from time to time. The “That” will be the subject of my next blog entry.

Writer’s Block

I never thought that a block
A long distance to be walked,
A major piece of a building,
Could be a stubborn foe of creation.

I decided to ignore it.
To treat it just as a writer’s
Infatuation or excuse.
I put it far and away
And sat down resolute.

Today I’m going to compose
So much I found to transpose.
This will be the day
I will succeed to convey.

I erased the deep frown,
What a story being formed!
Every part skillfully wrought:
people, places, a clever plot.

Then, too much time,
Not enough substance.
Now, no time to waste,
Content crafted at easy pace.
So much to write about.
Inspiration, at last!